29 Outubro 2015

No âmbito de obras de edificação de um Hostel Cultural, na Rua Dr. Ernesto Cabrita - n.º 19 a 33, promovidas pela Academia de Música de Lagos / Conservatório de Música de Portimão, foi colocado a descoberto o pano da muralha tardo-medieval de Vila Nova de Portimão.

A apreciação deste licenciamento teve em consideração, desde o primeiro momento, o facto de o edifício em questão integrar na sua zona posterior a estrutura defensiva tardo-medieval, classificada como Imóvel de Interesse Público (D.L. 45/93 de 30 de Novembro).

Considerando a localização do edifício, foram assim implementadas medidas de proteção ao património arqueológico e arquitetónico, que permitiram o registo de realidades associadas à ocupação da zona durante o século XVI. A intervenção arqueológica, dirigida por Fernando Pereira dos Santos e Ana Bica Osório (Engobe, Arqueologia e Património Cultural, Lda.), possibilitou também a identificação de uma pequena porta da muralha (poterna), não registada em nenhuma da cartografia antiga conhecida.

O pano da muralha tardo-medieval de Vila Nova de Portimão, incluindo o caminho de ronda desta estrutura defensiva, irá ser incorporado no projeto, valorizando-o e permitindo aos utentes do espaço usufruir destes valiosos testemunhos da evolução da cidade de Portimão.

De referir também, que a fachada do novo edifício continuará a ser representante da arquitetura vernacular da Vila Nova de Portimão, uma vez que a sua reconstrução irá incorporar as cantarias originais e manter a mesma traça.

O processo de licenciamento e de acompanhamento da intervenção arqueológica contou com a participação do Sector do Património do Museu de Portimão e da Direcção Regional de Cultura do Algarve (DRCAlg).

Pano de Muralha colocado a descoberto

A construção da referida muralha iniciou-se no século XV, em 1462, aparentemente sob as ordens de Afonso V, sendo continuada em 1476 pelo donatário escolhido pelo rei – Gonçalo Vaz de Castelo Branco. A muralha da Vila Nova de Portimão delimitava um polígono irregular com cerca de 6,5 hectares, estendendo-se desde o rio até ao interior. A construção dos panos da muralha em “dentes de serra” assenta aparentemente no substrato rochoso, possuindo uma espessura média de 1, 60 m e uma altura original entre os 5 e os 6 m. Desta forma, reforçada por baluartes e torreões, permitia uma vigilância eficaz. A vila intramuros cresceu a partir de três eixos: a Porta da Ribeira, a Porta da Serra e a Porta de S. João. A partir do século XVII a Vila de Portimão iniciou a sua expansão extramuros, sendo a própria muralha integrada nas novas construções. No século seguinte a muralha já não cumpria a sua função defensiva.